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A plataforma de matérias-primas de Bruxelas não resolverá a escassez de componentes

European Commission building with solar panels in the foreground representing supply chain policy
Brussels' new raw material portal: a policy solution for a manufacturing crisis.
A Comissão Europeia apresenta uma plataforma para agrupar a procura de matérias-primas críticas e facilitar o contacto direto entre compradores e fornecedores, enquanto a Eurelectric pede que os requisitos "made in Europe" não sejam excessivamente rigorosos.

A armadilha da burocracia de Bruxelas

A nova plataforma da UE para matérias-primas críticas é mais um caso clássico de decisores políticos a tentar desenhar um mercado a partir de uma folha de cálculo. Embora a ambição seja simplificar as cadeias de abastecimento de lítio, terras raras e cobalto, a realidade para um instalador na Baviera ou um promotor em Múrcia é que isto não resolve absolutamente nada quanto ao seu estrangulamento imediato. Agrupar a procura é útil para concursos de grande escala, mas ignora a realidade fragmentada e dinâmica da cadeia de abastecimento de energia fotovoltaica para telhados.

O teste de realidade do 'Made in Europe'

A Eurelectric tem motivos para estar preocupada. Se a UE tornar os requisitos de 'Made in Europe' para o Regulamento Indústria de Impacto Zero (NZIA) demasiado rígidos, não teremos uma indústria 'soberana' — teremos apenas um enorme atraso nos projetos.

  • Erosão das margens: Se for obrigado a adquirir componentes que cumpram quotas rigorosas de conteúdo local, espere pagar um prémio de 15–20% face aos equivalentes chineses de nível 1 atuais.
  • Dívida técnica: Já vimos isto antes. Quando as regras de conteúdo local apertam, os fabricantes mais pequenos de inversores e módulos privilegiam frequentemente a conformidade burocrática em detrimento da fiabilidade do hardware e das atualizações de firmware.
  • O pesadelo das aquisições: A nova plataforma tornar-se-á, provavelmente, um buraco negro de papelada administrativa. A menos que a sua empresa adquira volumes à escala de gigawatts, continuará à mercê de distribuidores como a BayWa r.e. ou a Krannich para o seu fornecimento diário de módulos.

O setor precisa de um abastecimento estável, não de uma mesa de negociação patrocinada pelo governo. Se a UE quer realmente ajudar, deve concentrar-se em simplificar o processo de licenciamento para o refino doméstico de silício, em vez de criar outro portal digital que serve de intermediário para uma oferta que ainda não existe à escala necessária.

Por que é importante: Não conte com as plataformas da UE para reduzir os seus custos de hardware; espere que os mandatos 'Made in Europe' aumentem o Capex dos seus projetos em pelo menos 15% no próximo ano.
📰 Ler artigo original em PV Magazine Espana →