A Mulilo garantiu o fecho financeiro para o projeto solar fotovoltaico de 380 MWDC em Beaufort West, na África do Sul, marcando o seu primeiro empreendimento de energias renováveis no Cabo Ocidental.
Porque é que isto importa: Os títulos globais sobre projetos de grande escala não o ajudarão a resolver os seus problemas locais de ligação à rede ou de integração de BESS.
Não confunda a escala de serviço público com a sua realidade
Sejamos diretos: um projeto de 380 MW a atingir o fecho financeiro no Cabo do Norte não é um sinal para o seu negócio em Munique, Lyon ou Madrid. Trata-se de uma classe de ativos, um ambiente regulamentar e um perfil de risco completamente diferentes. Quando vejo títulos como este, vejo uma tentação para os instaladores de pequena e média dimensão confundirem o 'crescimento solar global' com a 'saúde do mercado local'.
A verdadeira divergência
Enquanto a Mulilo luta pela ligação à rede e navega pelo quadro de contratação pública REIPPPP, único na África do Sul, os instaladores europeus enfrentam atualmente um problema muito mais imediato: a canibalização e as horas de preços negativos. Não está a competir por concursos de 380 MW; está a tentar perceber como vender um sistema de armazenamento residencial (BESS) de 15 kWh quando o preço no mercado spot atinge zero às 14:00 de um domingo.
Se trabalha na UE, o seu 'fecho financeiro' é conseguir que um proprietário ou gestor de fábrica assine um contrato, apesar das taxas de juro elevadas. Um projeto de 380 MW em África não o ajuda com a reforma da contagem líquida (net metering) nos Países Baixos ou com os requisitos técnicos do EEG 2023 alemão para a implementação de contadores inteligentes. Mantenha os olhos nos relatórios locais de capacidade da rede e no próximo preço mínimo para o leilão seguinte, e não em anúncios globais à escala de gigawatts que não têm qualquer impacto na sua cadeia de abastecimento ou nos seus resultados financeiros.