A central, promovida pela Ansasol, estaria dimensionada para produzir até 445 quilogramas de hidrogénio por hora.
Porque é que isto é importante: O modelo de negócio "apenas solar" morreu para projetos de grande escala em Espanha; se não integrar BESS ou H2, está a construir um projeto que será alvo de curtailment até à insolvência.
Analise atentamente os números em Pobladura del Valle, porque representam o fim da era "apenas solar" na Península Ibérica. A Ansasol não está apenas a construir um parque solar de 33 MW; está a ancorá-lo com 112 MWh de armazenamento em baterias (BESS) e um eletrolisador de 25 MW. Trata-se de um rácio armazenamento-geração de quase 3,4 para 1. Num mercado como o espanhol, onde a canibalização e as "horas a zero euros" já não são uma ameaça teórica, mas uma realidade diária, esta é a única forma de proteger a Taxa Interna de Rentabilidade (TIR).
A morte do PPA simples
Durante anos, os promotores viveram confortavelmente com base em Power Purchase Agreements (PPA) simples. Esses dias estão a chegar ao fim. Quando o sol brilha em Zamora, todas as outras centrais também estão a injetar energia na rede. Ao integrar uma produção de 445 kg/h de hidrogénio, a Ansasol cria a sua própria procura cativa. Não estão apenas a vender eletrões à rede à mercê do preço do pool; estão a converter esses eletrões numa molécula de elevado valor. Se ainda está a propor projetos de mais de 20 MW no sul da Europa sem uma componente séria de armazenamento ou H2, está essencialmente a vender um ativo irrecuperável (stranded asset).
Vimos este mesmo padrão nos primórdios da eólica onshore alemã — aqueles que não se adaptaram aos riscos de curtailment (restrição de produção) foram dizimados. O passo da Ansasol para garantir uma Declaración de Impacto Ambiental (DIA) favorável para outros 80 MW de eletrólise nas proximidades sugere que não estão apenas a experimentar; estão a dominar o mercado local de hidrogénio verde antes mesmo de as grandes utilities entrarem em campo.