A empresa suíça de eletrificação ABB lançou um novo portefólio de conversão de energia para as indústrias solar fotovoltaica e BESS.
Porque é importante: Os promotores de projetos de grande escala (utility-scale) têm finalmente uma alternativa europeia de peso aos gigantes chineses, mas a ABB terá de trabalhar o dobro para provar o seu compromisso de serviço a longo prazo.
Em 2020, a ABB praticamente pagou à Fimer para ficar com o seu negócio de inversores solares, deixando um rasto de EPCs frustrados e garantias órfãs pelo caminho. Foi um divórcio conturbado que manchou a reputação da marca junto de muitos instaladores europeus. Agora, a gigante suíça tenta um regresso de alto risco com o portefólio Proteus. Mas esta não é uma aposta no mercado residencial; é uma mudança estratégica calculada em direção à "corrida ao ouro" do BESS em escala de utilidade pública (utility-scale).
O Regresso do Filho Pródigo (Com Melhores Margens)
Porquê agora? A ABB percebeu que saiu do mercado precisamente quando o "cérebro" da central solar se tornou mais valioso do que o "músculo". Já não estamos apenas a aparafusar painéis ao chão; estamos a construir centrais elétricas complexas com capacidade de formação de rede (grid-forming). Com o Plano de Ação da UE para as Redes a sinalizar a necessidade de 584 mil milhões de euros em investimento em infraestruturas até 2030, a ABB sabe que a eletrónica de potência — especificamente a capaz de estabilizar uma rede instável — é a nova fronteira de margens elevadas.
Conclusão: Se é um promotor cansado do duopólio Huawei vs. Sungrow no segmento utility, o regresso da ABB é uma excelente notícia para a concorrência de preços. Contudo, não espere que alguém assine um contrato de O&M de 20 anos sem garantias de desempenho muito específicas e blindadas para apagar a memória da era Fimer.